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Por Marcelo Schellini. Doutor em Poéticas Visuais pela ECA - USP. Mestre em Estudos da Cultura Visual pela Universidade de Barcelona. Atualmente professor de fotografia e desenho gráfico na VIT University Vellore - India. Contato: marcelo.schellini@vit.ac.in

No dia 15 de março o semestre foi interrompido. Em poucos dias os alunos foram mobilizados, aturdido assisti centenas de jovens evacuarem o campus. Cerca de 23 mil estudantes vivem dentro do campus do Vellore Institute of Technology que é uma das maiores instituições acadêmicas do sul da India. Com restrições ao transporte ferroviário e sua vasta malha que se extende pelo subcontinente, os alunos se organizaram em grupos utilizando uma miríade de veículos que se dirigiram rumo as residências das famílias distribuídas pelos estados. A juventude tem uma vivacidade que faz parecer mesmo um momento de crise em um plano improvisado de excursão, uma efervescência, uma férias antecipada. De fato, até aí não sabíamos a gravidade do momento. O governo dias depois decretou o plano de medidas e as regras do lockdown e do distanciamento social.


Voltando para a residência dos professores me deparei com o vazio deixado pelos alunos. Era estranho que eu tivesse que restar enquanto todos se foram. Neste momento, encontrei tempo para ler um livro que há muito tempo planejara. Se tratava do On the Art of Fixing a Shadow: One Hundred and Fifty Years of Photography, um livro de história da fotografia publicado em 1989 em comemoração dos 150 anos do anúncio da invenção da fotografia.


Mas foi somente no último ensaio que eu encontrei a ignição e o estímulo que norteou o desenvolvimento deste projeto em andamento. Beyond the Photographic Frame, escrito pelo historiador Colin Westerbeck, é o último e talvez o mais audacioso capítulo pois analisa o recorte de tempo entre 1946 - 1989. Audacioso porque além de cobrir um período que lhe era atual também aborda o período do pós-guerra e os seus vários desdobramentos estéticos.


Entre outros assuntos o ensaio discute e aborda casos específicos de fotógrafos que por motivos socials, políticos ou pessoais se encontraram confinados dentro de suas casas e reflete sobre as reações criativas em face ao isolamento e a reclusão. Este foi o caso do From my Window (1981) de André Kertész, From my Studio Window (1944 - 1953) de Josef Sudek e As From My Window I Sometimes Glance (1957 - 1958) de W. Eugene Smith. No que parece, períodos de conflitos e crises redefinem o trabalho pessoal e algumas vezes a própria linguagem da fotografia.


Neste momento, achei oportuno contatar os alunos do curso de fotografia dos Departamentos de Multimeios e de Desenho Industrial que eu havia conhecido apenas dois meses atrás com a minha chegada na universidade. Estava seguro que era o momento dos alunos conhecerem os trabalhos mencionados acima, certo de que estávamos em um tempo de refletir e produzir, e não somente assistir passivamente o desenrolar dramático do surto do COVID-19. Sobretudo, um momento histórico importante para estimular uma documentação pessoal e poética. A resposta foi rápida e positiva. Logo foi pensado e decidido coletivamente um programa de encontros online, exercícios, postagens e publicações na rede.



Foto de Siva Karthik



Foto de Ishika Nandrajog




Foto de Vasantha Kumar




Foto de Charan J




Foto de Aravindh



Foto de Sibi Saravanan



Foto de Santosh



Foto de Sanjai Ramasamy




Foto de Siddharth M J


Foto de Sandeep Balaji




Foto de Krishnapriya




Foto de Sneha Siva



Foto de Ram Kumar



Foto de Alston Henry Rodrigues



Foto de Shivam Kumar



Foto de Mohammed Jazim



Foto de Aditya Balakrishnan



Foto de Sam Roger




As fotos publicadas aqui foram postadas em 04/05/2020 na conta coletiva do instagram @indian.quarantine.tales



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