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quarentena contra-anthropological blues

Por Suiá Omim. Antropóloga, poeta, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Doutora em Antropologia Cultural PPGSA (UFRJ). Contato: suiaomim@uft.edu.br

Colagem criada pela Autora



quarentena contra-anthropological blues



Ou assistindo tempestades (e h o!) Ou desnudando nuances encobertas Ou políticas das cessações Ou instilar o tudo desta escrita que cabe bem no quadragésimo dia da quarentena decantando leituras clausuras cursos online destacando trechos riscando e desenhando certas páginas lendo e por vezes e em voz alta também protegendo notícias de pós-humanos no caso eu, tu, eles... ciborgue é pouco, Haraway sou pós argonauta no meu planeta não pairo no espaço mas num pedaço de chão da terra gaia que seja aprendendo mais através dos metálogos com uma criança de nove anos experimentando dos sistêmicos aos totêmicos no arranjo cotidiano dear, Gregory desesperando os nervos em exercícios cismados sem conseguir pausar quase como Pina! meditando ritmicamente o modo mais possível do indissociável convidando dionisos para festas in locuo sozinho mas com vinho imitando seres vivos invertebrados prendendo a respiração para despertar de um pós-pesadelo pós-real cadê o beliscão no braço? precariedade, Butler é suporte dos corpos minoritários mas a vulnerabilidade é pandemia o sujeito é pura feitura eu atuo, logo existo não ter a humanidade reconhecida dá forma a violência de quem grita “foda-se a vida” ai ai... cada vez mais vejo em todos objetos-pessoas os micróbios, Latour. eu pasteurizarei… tu… nós pasteurizaremos um tour tipo buraco esférico da contaminação indagando o que fazer pensar e decidir o que ignorar o que imaginar dos fragmentos que nos Assopra Maio governantes à deriva isolados e rechaçados destilando ódio líquido que desequilibra e lambuza os podres homens como evitar a terapia da poesia? do play-repeat de todas as músicas que acrescentaram sentidos na ontologia do isolamento da separação do mundo do contornável sensível viver a densidade de tanta imaginação em ideias que (não adiam) não adiantam mas organizam, Krenak o status quo fim do mundo ruindo gritando rompendo roncando movendo sangrando sem fim os xamãs estão sustentando o céu, ainda, Kopenawa virando porco do mato para fugir virando jaguar para suspirar virando humano para ressurgir e roubar virando o virar para não mais parar mudando para o mundo das plantas que cultivam-se das pessoas que responsabilizam-se do pilar profícuo trazendo trilhões de constelações na cabeça postos de irromper trilhas de esmagar todos que anti-floresta pisam no coração de uma mata que se cura com seres e não com aparelhos de merda o dinheiro entende do ser humano ao lado do extermínio sabe e gaba-se Platão, sinto, tudo se inverteu no seu logos o sensível é maior agora o teórico é transitório as ideia se afogam no mar revolto do pós-açúcar nenhuma teoria coronária é completa o suficiente para se assumir formadora de corpos pálidos crescentes civilizadores respiradores concretos podres produzindo a terra que já nos alimenta que nos trata a despeito escrever precisamente sei, mas e os meios de transição=produção=contração da pálpebra repetidamente dançar na sala como se estivesse em uma performance pós fogo no rabo um desgaste de tudo que é branco antropo-falo-ego-logo-cêntrico Rolnik, vamos no desejo pan que é menos cêntrico e menos é mais Davis, fato é que toda e qualquer solução individual para o capitalismo não passa de alienação falta líquido para dissolver questões largas não sobram lápides já que todas estão ocupadas sobram montes sem vala comum corpos refrigerados no caminhão de reforço estacionado na lateral do IML ou como diz a dona Rosa "melhor ficar em casa mesmo, do que ir parar no cemitério" ou ainda, dona Rosa, acabar em um freezer humano dos corpos sem destino de belém belém

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