• antropoLÓGICAS

v9a1| diário na pandemia 9

Por Tátia Rangel. Psicóloga, Psicomotricista, Mestre e Doutoranda em Psicologia (UFF).




já passou mais de um ano – o infindável 2020 – o diário continuou comigo, a escrita ficou mais distante. uma vontade de silêncio atravessou as horas, talvez os últimos meses. um distanciamento da vida se fez presente, tal qual, o distanciamento social que nos é dito como meio de manter a vida. qual vida?


janelas abertas, o vento produz um som que dialoga comigo. nosso assunto é quase banal. ele tenta dizer algo que não quero escutar, respondo com o som das teclas do notebook – um código – isso não importa. começo a pensar que nada importa, talvez só o fato de estar viva. mas isso importa?


quero sonhar. sentir a motivação pelo inesperado da vida, ou mesmo, acordar e dizer: foi tudo um sonho! fantasia e realidade é um misturar de vontades. com os olhos abertos quero sonhar com viagens, encontros, paisagens ... com os olhos fechados continuo com os mesmos sonhos. estou acordada ou dormindo?


escreve um texto para nós, diz o querido editor. respondo que vou escrever sobre os esquecimentos, as confusões, os efeitos desse tempo, a maluquice que estamos imersos. vou escrever na confusão que estou. será que só eu estou?


vou começar de novo, não achei o fio condutor do texto.

me olho no espelho, cadê? perdi meu rosto. encontro linhas, fantasmas, buracos ... desfazimento.

ainda sou eu? quem sou eu?




22 de maio, do dito ano 2021.




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